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27/02/07 Firmeza de intenção
Da Redação - 27/02/2007

         Gosto da história do prefeito de uma pequena cidade do interior do Nordeste que contratou um matador profissional para acabar com seu desafeto político. Chamou o pistoleiro e encomendou o trabalho:

- Quanto você cobra para matar fulano?

– Dez mil reais, senhor. Cinco mil agora, na encomenda, e cinco depois do serviço feito.

– Combinado, estão aqui os cinco mil, acabe com o cabra da peste.

O tempo foi passando e nada do inimigo morrer. Volta e meia o prefeito encontrava uma maneira de lembrar o matador da encomenda feita: - E daí, rapaz? Tá me enganando, o homem está vivo ainda.

          - Nada, doutor, espere um pouco mais, ainda não deu.

Passado mais algum tempo, o político desistiu do intento, pois havia pensado melhor e percebeu que a morte do concorrente poderia lhe trazer complicações: vingança de parentes, segurança dos filhos, sua imagem na região, processos na justiça, etc. Chamou o matador e disse:

- Olha, sabe aquele serviço para acabar com o fulano? Esqueça, desisti da idéia. Os cinco mil que te dei adiantado ficam com você pelo incômodo. Não quero que mate mais o homem.

O outro, surpreso, respondeu: – Agora não dá mais patrão, considere o homem como morto. – Morto? Vi-o agorinha mesmo andando pela praça.

O matador coçou a cabeça, levou a mão ao revólver e disse seguro de si: - Agora não dá mais patrão porque eu já firmei a intenção.

Isto é, o pistoleiro precisava de tempo para juntar raiva do outro para executar o serviço.

Muitas vezes, quando faço assessoria de marketing, conto esta história para alguns empresários a fim de alertá-los sobre suas intenções mal firmadas. Da boca para fora, eles dizem querer fazer alguma coisa, mas na verdade estão ganhando tempo, rodeando o assunto, porque na hora de fazer realmente alguma coisa, escapam. Isto é, começam o trabalho sem a devida firmeza de intenção. Então, para que nem ele, nem eu, percamos tempo, vou direto à pergunta: “Você já firmou a intenção em fazer o que está se propondo? Vai mesmo fazer isto? Tem verba? Seu sócio concorda? A empresa está preparada?” Se ele titubear, sabemos que temos um problema e que, se formos em frente, perderemos tempo.

Há uma enorme diferença entre desejar fazer e ter a firme intenção de fazer. A primeira disfarça, a segunda faz. Quando você quiser mesmo fazer alguma coisa, faça, não fique procurando desculpas e oferecendo sutis resistências. Se você acompanhar alguém assim, perde tempo e dinheiro.

O processo da realização normalmente passa por duas fases, na primeira foca-se, dando atenção ao fato a ser executado. É o momento de carregar de energia o processo, pois quando você concentra atenção sobre alguma coisa ela fica mais forte. Na segunda fase, a da intenção, é detonado o processo de transformação da energia e da informação em organização e realização. Só ter o desejo de fazer alguma coisa não resolve, porque o desejo sozinho é fraco. Só a intenção consciente e dirigida é que tem o poder de mover as coisas e fazer os sonhos tornarem-se realidade.

Por isso, ao se propor a realizar alguma coisa, veja se tem realmente firmeza de intenção. Se não tem, espere um pouco, até firmá-la. Pois durante este tempo novas informações irão surgir, novas circunstâncias irão se montar. Ou você vai em frente, ou desiste de uma vez.

E quando você firmar a intenção, vai perceber que o passado e o futuro eram apenas frutos da sua imaginação, e que só o presente é real. Vai perceber também que a maioria dos seus receios mora na fantasia que você mesmo cria.

E, uma vez ciente do momento presente e com os pés na realidade, todos os obstáculos, que na maior parte são imaginários, desaparecem. É com o restante, com o pouco que sobra que você vai trabalhar. E esta ação concentrada, sob a forte intenção direcionada, vai abrir todas as portas e fazer as coisas acontecerem.




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