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23/10/07 Foi só uma pergunta de criança
Da Redação - 23/10/2007
Na TV, inúmeras notícias sobre corrupção, falcatruas, desvios de dinheiro e tantos outros crimes que nem percebi a aproximação de uma criança no restaurante que eu estava. Era um menino de mais ou menos 12 anos de idade. Ele me perguntou: - Tio, tem dinheiro pra mim comprar um lanche? - Tenho, mas não dou dinheiro. Quer um lanche? Pede pro garçom que eu pago. Ele sorriu e pediu um cheese salada, sem alface. Quis dizer-lhe que pedisse um cheese burguer, mas me contive. Comentei com o garçom o quanto a gente tem que trabalhar para pagar impostos e eles nem vão para onde deveriam ter ido. Aí o menino disse: - Deveria ter ido pra onde tio? - Para saúde, educação, estradas decentes, trabalho para todos. Se tivesse trabalho para todos e não houvesse tanta gente ganhando muito e muita gente ganhando pouco, você não precisava pedir dinheiro na rua. - Ah, sei. Então se não tivesse tanto ladrão no governo, ia ter menos ladrão na rua? - He he, acho que sim. Mas você não é ladrão não é? - Sô não tio. Só peço dinheiro. Quem quer dá, quem não quer não dá. - Isso mesmo. Mas você precisa estudar para ter um emprego. Você estuda? - Estudo, mas to indo mal. Mas não tem pobrema. Vai dar pra ser presidente. A gente pode ser presidente sem ter estudo né? Eu vi o Lula dizer que ele não pôde estudar. Eu não quero ser presidente, quero ser Ófis bói. - Até para ser Office boy precisa estudar. Leve a sério os estudos tá legal? - Tá. Minha vó também diz isso. Tio, se o dinheiro fosse pras escola, eu ia conseguir aprender aquelas coisa de matemática? - Ia ser mais fácil aprender. - Na escola não ensinam mudar essas coisas de corrupição né? Senão vocês doutor já tinham mudado né? - Menino, essa é uma excelente pergunta. Quer um refrigerante também? As escolas têm bons currículos. Mas faltam algumas coisas mais aplicáveis em nossa realidade. Marcos Meier é Mestre em Educação, Psicólogo e Palestrante. Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br |