CBN Curitiba
Sistema Globo de Rádio
Home  Fale Conosco Quinta-feira, 02.09.2010 | Hora Certa: 20:27
Busca no site 
05/10/07 Educação no Brasil
Da Redação - 05/10/2007

 

 

Há várias formas de avaliar a qualidade da educação. Uma delas é mais subjetiva, pessoal, não “científica”, mas é um alerta de que algo está muito ruim.

Há muitos cursos superiores no Brasil que estão terríveis, não têm a mínima condição de formar profissionais com competência técnica nas próprias áreas de sua especialidade. Profissionais estão sendo formados sem a menor condição de atuar no mercado de trabalho. Incompetentes. Logo, estragos terríveis vão começar a aparecer. Infelizmente, em todas as áreas.

Consultei uma médica dermatologista que, pasmem, não sabia o que era fator de proteção solar (FPS). Ela acreditava que se tratava de uma porcentagem de redução dos raios solares. Por exemplo, se o bloqueador solar era “fator 30” ela dizia que 30% dos raios solares eram eliminados! Talvez você não conheça o significado, mas quem trabalha na área jamais poderia estar entre os que não sabem.

Uma senhora perdeu sua filha porque nenhum médico diagnosticou a meningite instalada. Medicaram-na como sendo gripe.

Um professor de Matemática recém formado por uma de nossas universidades não sabia trabalhar utilizando a metodologia de projetos nem com problemas contextualizados. Não aceitou a vaga de professor por não acreditar que daria conta. Sincero, pelo menos.

Tenho recebido na escola em que trabalho laudos de avaliação psicopedagógica emitidos por psicólogos sem a menor preocupação em não copiar o texto de laudos anteriores, mas que não se aplicam ao paciente em questão. Frases como “sobe escada sem ajuda” referindo-se a adolescentes!

Uma tese de doutorado no Rio de Janeiro comprovou que metade das crianças diagnosticadas como hiperativas (e que estavam sendo medicadas) simplesmente não eram hiperativas, apenas eram agitadas e apresentavam comportamento indisciplinado. A solução não deveria ter sido medicamentosa nesses casos, mas educacional.

Alguns candidatos ao exame da OAB escreviam em suas provas a palavra “Prossesso” ao invés de “Processo”. Não era um engano, pois pelo menos durante os 4 anos da faculdade esse futuro advogado teve que escrever tal palavra.

Vestibulandos são uma fonte interminável de temas hilariantes no programa do Jô Soares por causa das besteiras que escrevem nas provas. Muitos deles não se desenvolvem muito durante o curso superior quando são aprovados.

Já ouvi professores universitários dizendo que se eles exigem um pouco mais dos seus alunos, eles reclamam e a direção acaba trocando o professor.

Um ortodontista queria extrair um dente permanente de minha filha, pois segundo ele não haveria espaço na boca para que o dente se alinhasse. Havia nascido atrás do dente “de leite”. Levamos a outro ortodontista que sabia que o dente entraria no lugar. O dente está lá, há anos. E alinhado.

Várias mortes de pacientes que foram submetidos a anestesias parciais poderiam ser evitadas se os médicos acompanhassem a respiração! O corpo relaxa, a respiração para e falta oxigênio no cérebro. E a notícia é dada como sendo “reação alérgica contra a anestesia”.

Há professores de Filosofia em cursos universitários que lecionam de forma expositiva, sem abrir ao debate e sem considerar opiniões contrárias às suas.

Já vi professor de Matemática explicando que um terço é o mesmo que 30%.

Tive centenas de aulas de arte durante minha escolaridade. A única coisa que aprendi foi “expressar meus sentimentos” por meio de tinta ou argila. Não aprendi os elementos básicos necessários para a análise de uma obra de arte. Não desenvolvi nenhuma técnica especial em pintura. Não na escola, pelo menos.

Alguns alunos de um curso de Psicologia em Curitiba foram aprovados nas principais disciplinas sobre personalidade e transtornos psicológicos tendo colado nas provas e pago para outros fazerem os trabalhos de pesquisa. Estão clinicando. Os professores? Sabiam, mas acharam melhor deixar o “mercado” eliminar os maus profissionais. Pena que isso só vai acontecer depois desses psicólogos “eliminarem” a saúde emocional de muitos pacientes.

Muitos professores de Educação Física, durante o ano todo, limitam-se a jogar uma bola para seus alunos saiam correndo atrás dela e a chutem em direção ao gol. Não ensinam percepção corporal, posturas adequadas que evitam problemas na coluna, não ensinam alongamento muscular, não ensinam respiração boca-a-boca nem massagem cardíaca. Educação Física ou “Educação Bolística”?

E os professores que levam a sério a Educação e realmente fazem um bom trabalho? Bem, esses são considerados “rigorosos demais”, desatualizados, e que não sabem dar aulas “legais”.

No Rio de Janeiro descobriram que a escola é tão inútil na formação das crianças que precisaram inventar prêmios em dinheiro para os alunos estudarem. Fico imaginando adolescentes envolvidos com o tráfico conversando com seus professores a respeito das notas que ele vai lhes dar. “Prófi, lembra que ocê tem famia, bródi”. No Brasil há especialistas em Educação respeitados no mundo inteiro. A prefeitura do Rio buscou a opinião deles? Não! Mais uma decisão fundamentada no “achismo”.

São percepções pessoais “não científicas”, no entanto apontam para uma possibilidade assustadora: a de que talvez, por uma infelicidade estatística, tenhamos que necessitar dos serviços de um profissional que tenha sido formado por uma equipe de professores “bonzinhos”.

A sociedade brasileira precisa urgentemente de mecanismos de avaliação e de correção desses disparates. A OAB, apesar das críticas sobre seu “exame de ordem” deu um passo importante para que as faculdades possam corrigir seus erros. E as outras profissões? Creio que precisamos de sistemas de avaliação, de feedback e de correção das falhas para que não tenhamos que vivenciá-las na pele. Nem com fator 30.

E que nossos governantes jamais digam que não sabiam.

 

Marcos Meier é Mestre em Educação,  Psicólogo e palestrante. Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br




• Algumas questões sobre inteligência
• AGRESSÃO NAS ESCOLAS – O BULLYING
• Natal sem significado
• Violência e agressividade
• A escola certa para seu filho
• Dicas para realização de uma palestra
• Solidão
• ANO 2108
• Produção acadêmica
• 04/12/07 O porteiro do meu prédio
• 20/11/07 Todo mundo no chão
• 23/10/07 Foi só uma pergunta de criança
• 24/09/07 Superego nacional
• 11/09/07 Guardar raiva dá câncer
 
Receba informações da CBN Curitiba em seu E-Mail:

Nome
E-mail

Programa CBN Curitiba

Com José Wille e
Luiz Geraldo Mazza
Eleições 2010

Ouça a série "A importância do seu voto"

Ouça a CBN Curitiba no iPhone ou iPad
Conheça nossa rede

Siga-nos no twitterNotícias no FacebookRSSBlog da redação

Participe do site
da CBN Curitiba

Mande sua foto histórica com data











Faça Download para ouvir as Notícias:
Faça Download para ouvir as notícias
CBN Curitiba 2005 Todos os direitos reservados 90.1 FM Ltda. Desenvolvido por PICTOR
Hospedado pela NETPAR